quinta-feira, setembro 18, 2008
segunda-feira, setembro 08, 2008

Apesar de a data ter passado, a proximidade dela me dá margens ainda. Com trilha sonora.
Hoje falo de mim, de coisas públicas e particulares. Falo da vista do pôr-do-sol a partir da minha Casa Verde, e do lugar predileto no canto esquerdo do terraço de casa, de onde vejo a baia de Vitória, e os navios que chegam e saem. Falo da mania, inconsciente até então, de enquanto como usar a mão livre para acariciar uma das pernas.
Detesto que deixem aberta a porta do meu quarto, que carinhosamente chamo de oca. Faz-me bem a sensação de ser segurada forte pala cintura e me faz mal o cheiro de cebola.
Alguns anos se passaram desde que eu achava que a vida podia ser perfeita. Durante esses anos várias de minhas concepções mudaram, vários amigos se foram e vários outros vieram. Algumas pessoas vieram pra ficar, algumas saíram pela porta que entraram, e outras foram embora sim, mas deixaram, de propósito, a bagagem.
Costumo pensar que pessoas são como o mar, que pode encantar apenas pela visão, mas pode surpreender infinitamente mais quando nos dispomos a desbravá-lo.
Tenho planos hoje que não planejava ter, tive sonhos dos quais desisti, outros sobre os quais mudei de idéia. Tenho bons momentos pregados nas paredes da oca, tenho maus momentos pregados nas paredes da memória, sentimentos infinitos por pessoas finitas, sonhos que persistem em sobreviver sob os escombros.
Amo chocolate e estou, no presente momento, com o quarto abarrotado dele, de várias formas e recheios. Minha coleção de cactos aumentou, meu tempo de cuidar deles e de mim mesma diminuiu.
Nunca mais consegui escrever no meu diário, mas a minha história não consegue dar a pausa que eu precisaria para colocá-lo em dia. Será por isso que eu sinto o tempo todo que estou atrasada?
Nasci no inverno de pura esperteza, que era pra já estar craque quando entrasse a primavera.
Meus heróis não morreram de overdose
Hoje sou um pouco da mulher que quis ser quando era criança e um pouco de uma mulher que eu não conhecia, de mesmo valor e com o sinal trocado.
domingo, agosto 31, 2008
Pois é...
Vejo você, e vejo tanto mais que não dou conta de distinguir, nem de situar-me.
O que fazer quando tudo o que se faz não faz mudar? E o que fazer quando você me oferece aquele olhar de sentido infinito enquanto nega-me as palavras que derivariam dele?
Em qual versão de você está então a verdade?
sábado, agosto 23, 2008
sábado, agosto 16, 2008
Presentinho
Recebi da Jo (Obrigada, moça, pelo carinho) o Prêmio Dardos, que pra dizer a verdade eu nem conhecia."Esse prêmio consiste em reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia e por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc, que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras."
Eu bem sei que quando se recebe esse tipo de prêmio em blog a gente indica outros blogs, mas como eu não tinha entendido muito bem, entrei no blog de quem premiou a Jo, e descobri que eu deveria idicar outros 15 blogs, será que é isso mesmo? Não sei se encontro 15 mas estes eu tenho certeza de que merecem.
Vamos lá então, lembrando que "a ordem dos fatores não altera o produto":
O Apenas cacos, pedaços , da Marília, pela criatividade e evolução dos textos que já eram bons.
O zigue-zague cheio de sutilezas da Sarah no ziguezaguear, emoções a flor da pele.
A alma de mulher fatal e as palavras de Mayara Nogueira em Desatinando.
O blog de um jovem escritor cheio de talento que é também uma pessoa gentil e prestativa: The House of The Rising Sun, do Lucas.
Um blog cheio de doçura e faces ainda ocultas: Laila Có em O caderninho.
Blog de escrita refinada, não fossem os palavrões. rs. Imagens do dia-a-dia pela lente brutalmente romântica de Duda Bandit.
As palavras bem articuladas do Jorge Elias em seu blog também levam o prêmio.
Outro blog é o próprio Fissil flor, da Jo, escrita de alta qualidade, talendo impar no lidar com palavras, além de imagens super interessantes. (tá valendo, né?).
Partindo agora para blogs coletivos, eu não poderia começar por outro: Mot de Femme. Deixando a modestia pra lá, já que eu também posto nele, o blog é de muito bom gosto e os textos de natureza agradável e criativa.
O Cacoração, que possui vários autores de vários lugares diferentes e apresenta textos bem diversos. E por último, o delicatessen, ah, ele é uma gracinha!
Sei que os autores de alguns dos blogs que indiquei não verão a indicação aqui, mas a tarefa está cumprida.
domingo, julho 27, 2008
Um e meio
faço figa
aquele frio na barriga
passa esse, passa aquele
e mais um e outro dia
Acordo
Vejo
leio
Pão de queijo no recreio
tenho terra, sobra brisa
mandam chuva
e não semeio
Limpo a casa
o carro, o quarto
cato os cacos
coração despedaçado
o que se faz com os estilhaços?
terça-feira, julho 22, 2008

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga que nem todas, só as de verão.
Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.”
William Shakespeare.
Trecho de: Sonho de uma noite de verão , livro que ganhei de
presente da Marília no "nicpic" da nossa turma. Adorei, o presente!
terça-feira, julho 15, 2008
sábado, julho 12, 2008
Cortina
Revendo a cena na tela da memória, imagino quais seriam as coisas que ele via e gostaria que eu visse mesmo assim, com minhas lentes turvas. Quais fatos passavam despercebidos pela miopia que me impede de enxergar alguns dias a frente do nariz?
Enxugava com papel-toalha e devolvia:
— Ta vendo melhor agora?
Por que cargas d’água eu respondia que sim?
sexta-feira, julho 11, 2008
Julho
Merecidas férias depois de madrugadas estudando, mas prefiro não entrar em detalhes, que é pra não tomar tempo, sabe como é, né? Tempo de férias é sagrado. Até porque fiz uma listinha caprichada de livros pros dias de folga...
Quatro meses e pouco vivendo a (esperada?) vida de universitária foram suficientes para entender tanta coisa, dentre elas que se aprende muito, mas muito mesmo, fora da sala! O sujeito começa errando o caminho do prédio, mas sempre acaba o período acertando o caminho da cantina.
Conheci pessoas muito especiais, gente que vive de palavra, e isso sempre foi o meu fraco! Gente de todo o tipo, e que me fez entender que o meu tipo nem é tão diferente assim.
Agora, com tempo e inspiração de volta, vamos ao que interessa, e mãos a obra!
Grande beijo,
HM.
terça-feira, julho 01, 2008
O não ser de todas as coisas
e o não é sim
E ausência é presença, ou finge ser
Até mesmo o olhar,
Expressão infinita em tempo cronometrável
pode faltar, supondo estar onde nada mais permanece
E toda a existência, toda a natureza compactua
Paisagens inteiras pretoebranqueando
As culpas se justificam
E o não,
Palavra que se valeu de sentido ao invés do tamanho
Ri sozinha o riso sem jeito de quem não sabe rir
Se é preciso não estar para mais estar
Tiro férias de mim para o não te ver de cada dia
E ser [não sendo] o que de fato se é
Trilha sonora : 1x1
sexta-feira, junho 20, 2008

A mente continua por lá.
Continuo na correria, mas julho (férias) tá chegando, vindo de tartaruga, mas vindo.
Para os que sentem saudade dos textos, tem um novo no Mot de Femme, parceria com Marília Carreiro (ela é das boas!). Aproveitem para conhecer o blog, tá uma graça. Ah, aproveito o post de última hora para agradecer ao pessoal do Azulejos Assassinos pela análise de um texto meu. Quem quiser ler, clique.
Abraço.
HM
quinta-feira, junho 12, 2008
A poesia que ninguém vê
"Amor é o que se aprende no limite
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde."Amor e seu Tempo - Carlos Drummond de Andrade
Homenagem ao dia dos namorados, com trilha sonora e tudo.
P.S.: Pode zuar, Sarinha-h.
P.S².: Sem tempo pra postar, por causa do final de período, vocês entendem, né?
sábado, maio 17, 2008
O Fruto
Seu gosto de maçã prosseguia, contudo maçãs não permanecem inteiras depois que se morde. Você, apesar de resistente a mordidas, se derrete em temperatura ambiente. Agora o gosto é de carne, carne viva, corpo vivo, carne sua, desde a sala até o céu, até onde vai o pensamento, sobre a grama do nosso jardim.
Sob a luz do sol, o cheiro era de maçã, era de aconchego, era quente, era bom. Era como você, com você, por você.
O som que dilacerava o silêncio era da sua voz, fossem palavras belas ou não. Palavras de maçã enlaçavam-me num beijo fatal.
Para ouvir
domingo, maio 11, 2008
Nossa festa
E tem olhares por cima do muro
Desejos, detalhes, decotes
Dentes que prendem e suspiros soltos
São dias e noites e tardes ensolaradas
E juras do teto ao céu
Nossa festa tem música do Chico
E Marisa rola a vontade
Versos sem fim e sem donos
Dados de sorte marcada
Veneno destilado no chão
Nossa festa não acaba no fim
O tempo é mero detalhe
Sofrimento só entra de penetra
Participamos eu, você e tudo aquilo que importa
Felicidade é convidada de honra
Qual é o problema se a realidade não veio?
sábado, maio 03, 2008
Labora
fosse embalado em papel quadriculado
enfeitado com fita de sonetos
e semeado em sua porta?
Brotaria?
quinta-feira, abril 24, 2008
Crônica do Amor
"Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem amenor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa."
Arnaldo Jabour
segunda-feira, abril 14, 2008
Demasiadamente humano
Em minhas melhores lembranças
O perfume de tudo aquilo
que não se pode distinguir humanamente
Humano...
Seria humano ser humano?
Para acompnhar, ponto alto da noite (by Paulinho Moska e Ramon de Alcantara) de quarta-feira.
sexta-feira, abril 04, 2008
Colorido em preto e branco
Em vão continuo a pelejar com as palavras
Então poeta que desapaixona perde a mão?
A realidade a que me submeto é sem borboletas
Uma vez quebrada a ponta do meu lápis de cor
Escrevo à caneta meus versos sem sabor



